Paulo Roberto Gomes Fernandes via, no início de 2020, um cenário favorável para estreitar relações empresariais entre Brasil e Rússia, sobretudo porque 2019 havia deixado sinais de amadurecimento institucional, mais circulação de delegações e eventos capazes de transformar contatos em agendas de trabalho. A expectativa era de continuidade, com missões empresariais, participação em fóruns internacionais e maior presença de atores regionais brasileiros, o que tende a dar mais aderência prática às conversas.
Ao mesmo tempo, a aposta não se limitava a uma pauta única. Energia, infraestrutura, inovação tecnológica, defesa e até turismo corporativo entravam como vetores possíveis de cooperação. Em um período em que o comércio internacional buscava diversificação de parceiros e rotas, a leitura era que a relação bilateral poderia ganhar densidade, desde que as iniciativas saíssem do campo simbólico e avançassem para projetos com roteiro, interlocutores e metas.
O que 2019 indicou sobre capacidade de articulação
A Câmara de Comércio Brasil Rússia apontava 2019 como um ano fora do padrão, com forte movimento russo no Brasil e uma sequência de encontros que ampliaram o alcance das conversas. Nesse contexto, eventos com participação de líderes empresariais e representantes institucionais ajudaram a criar uma base de relacionamento. Além disso, a ideia de candidatar Moscou para sediar uma edição futura de congresso mundial de câmaras sinalizava ambição de protagonismo e visibilidade.
Também ganhou destaque um fórum comercial realizado em novembro, com presença de grandes companhias russas e de instituições brasileiras, somando interlocução empresarial e instrumentos financeiros. Esse tipo de convergência tende a elevar a chance de continuidade, já que coloca na mesma mesa quem executa e quem viabiliza. Sob a ótica de Paulo Roberto Gomes Fernandes, quando indústria e finanças se encontram em um mesmo circuito de eventos, o debate deixa de ser apenas sobre oportunidade e passa a lidar com condições de execução, risco, garantias e prazos.
Missões empresariais e protagonismo dos estados
Para 2020, desenhava-se um calendário com várias missões de empresários brasileiros a Moscou e São Petersburgo, incluindo a participação do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e de empresários capixabas. Cogitava-se que outros estados entrassem com delegações próprias em datas diferentes, ampliando o alcance regional da aproximação.
Essa escolha tem lógica: investimentos e parcerias se materializam com mais facilidade quando há conexão direta com demandas territoriais, infraestrutura local, cadeias produtivas e projetos já mapeados. A partir da experiência de Paulo Roberto Gomes Fernandes, missões funcionam melhor quando chegam com temas priorizados, reuniões pré-agendadas e objetivos, como memorandos, pilotos, visitas técnicas e negociações com tomadores de decisão, evitando agendas genéricas que terminam em boas intenções.

Soft power, fóruns internacionais e presença em grandes eventos
Além de reuniões de trabalho, seminários e ações regionais, havia a proposta de usar uma plataforma de soft power, aproximando lideranças russas e brasileiras em um ambiente cultural no Rio de Janeiro. Esse tipo de contato informal pode parecer periférico, porém costuma abrir portas e reduzir barreiras, preparando terreno para conversas mais técnicas.
O Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo aparecia como peça central de conexão com investidores e empresas, ao passo que a intenção de atuação na Rio Oil & Gas, com possibilidade de um pavilhão russo, indicava busca por visibilidade setorial em energia. Com Paulo Roberto Gomes Fernandes, ganha força a ideia de que relacionamento e agenda técnica precisam caminhar juntos, pois projetos complexos raramente nascem de uma única reunião, exigem continuidade, confiança e consistência de interlocução.
Setores prioritários e o papel do turismo corporativo
A projeção para 2020 incluía frentes como infraestrutura, ferrovias, inovação tecnológica, defesa e expansão de cooperação em energia, sem excluir o agro, mas evitando que ele vire o único capítulo. Também surgiu a defesa de uma aproximação maior via turismo, com Apex Brasil e Embratur tratando a Rússia como parceira prioritária, em especial pelo potencial de turismo corporativo, que costuma se conectar a feiras, rodadas de negócios e visitas técnicas.
Na leitura de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a chance de “decolar” cresce quando essa pauta ganha ancoragem em projetos estruturantes, com participação de instituições como bancos de fomento e organismos de promoção, além de uma comunicação mais consistente para ampliar alcance e previsibilidade.
Autor: Gennady Denisov

