Quando alguém próximo atravessa um momento de fragilidade emocional, a intenção de ajudar costuma surgir de forma imediata. Mas entre a intenção de apoiar e a prática de um apoio genuinamente acolhedor há uma distância que nem sempre se percebe. Taiza Tosatt Eleoterio, profissional com atuação em apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade, contribui para compreender o que diferencia um apoio que fortalece de um que, mesmo bem-intencionado, pode dificultar a experiência de quem está em sofrimento.
Nos próximos tópicos, veja como esse tema pode ser analisado.
Como a percepção de julgamento pode intensificar o sofrimento de quem está fragilizado?
Oferecer apoio sem julgamentos parece simples na teoria. Na prática, esbarra em um conjunto de impulsos que fazem parte da natureza das relações próximas: a ansiedade de quem vê alguém que se importa sofrendo, o desejo de resolver a situação, a dificuldade de permanecer diante de uma dor que não se pode aliviar imediatamente.
O julgamento, nesse contexto, raramente é intencional. Ele aparece nas perguntas que implicam que decisões melhores poderiam ter sido tomadas, nas sugestões que desconsideram o que a pessoa já tentou, nos silêncios desconfortáveis que transmitem mais do que qualquer palavra. Mesmo expressões bem-intencionadas, como “você precisa ser mais forte” ou “já passou da hora de seguir em frente”, carregam um peso avaliativo que pode fazer a pessoa em sofrimento sentir que falhou em sua própria recuperação.
Conforme expõe Taiza Tosatt Eleoterio, o julgamento, mesmo quando não expresso, é percebido. A pessoa em fragilidade emocional está frequentemente muito sensível ao tom das interações ao redor, e pequenos sinais de impaciência, surpresa ou avaliação podem ser suficientes para que ela se feche e passe a gerenciar o próprio sofrimento de forma ainda mais solitária.
Por que a ausência de pressa é essencial no apoio sem julgamentos?
Apoiar sem julgar não significa concordar com tudo ou abrir mão de perspectivas próprias. Significa, antes de tudo, criar um espaço em que a pessoa se sinta segura o suficiente para existir com sua experiência sem precisar justificá-la ou torná-la mais aceitável para quem está do lado de fora.
Quais elementos caracterizam esse tipo de apoio?
- Escuta ativa, em que o foco está no que a pessoa diz e sente, e não na elaboração da própria resposta.
- Ausência de pressa para que o sofrimento termine ou para que a pessoa tome decisões.
- Validação da experiência sem necessidade de concordar com cada interpretação.
- Disposição para permanecer presente mesmo quando não há nada a dizer.
O que distingue essas atitudes não é a sofisticação técnica, mas a qualidade da presença. Alguém que genuinamente está disposto a ouvir sem avaliar transmite isso de formas que vão além das palavras e que têm impacto real sobre como a pessoa em sofrimento se sente diante da situação.
De que maneira o isolamento pode intensificar o sofrimento emocional de uma pessoa?
Quando o apoio disponível é marcado por avaliação, pressão por mudança ou impaciência com o ritmo da recuperação, a tendência da pessoa em sofrimento é se recolher. Ela aprende, a partir da experiência concreta, que compartilhar o que sente traz mais custo do que alívio, e passa a gerenciar o sofrimento de forma mais isolada.
Esse isolamento, por sua vez, tende a ampliar o impacto emocional do que está sendo vivido. O sofrimento carregado sozinho pesa de forma diferente do sofrimento compartilhado, mesmo que o compartilhamento não resolva a situação. A sensação de que não há onde colocar o que se sente é, em si mesma, uma fonte de angústia que se soma ao sofrimento original.
Segundo Taiza Tosatt Eleoterio, compreender esse processo é importante não para gerar culpa em quem apoia de forma imperfeita, mas para ampliar a consciência sobre como as respostas cotidianas de quem está próximo influenciam a experiência de quem está em sofrimento. Ninguém apoia perfeitamente, mas a disposição de refletir sobre a própria postura já representa uma forma de cuidado.
Como desenvolver uma postura de apoio mais acolhedora?
Apoiar sem julgar é uma habilidade que pode ser desenvolvida, ainda que exija prática e, às vezes, a disposição de rever padrões que foram aprendidos ao longo da própria história.
Um ponto de partida concreto é notar os próprios impulsos diante do sofrimento do outro. Que tipo de resposta surge primeiro: o impulso de solucionar, de questionar, de animar, de minimizar? Reconhecer esses impulsos não significa eliminá-los, mas aprender a fazer uma pausa antes de agir a partir deles.
No fim, Taiza Tosatt Eleoterio demonstra que a postura de apoio mais eficaz começa com uma pergunta simples: o que essa pessoa precisa agora? Não o que eu acho que ela precisa, nem o que eu precisaria no lugar dela, mas o que ela está sinalizando que precisa nesse momento. Partir dessa pergunta e deixar a resposta guiar a forma como o apoio é oferecido é o que distingue uma presença que fortalece de uma que, mesmo bem-intencionada, acaba gerando mais isolamento do que conexão.

