O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, destaca a importância de considerar as características individuais de cada pessoa ao abordar o idadismo, que envolve preconceitos, discriminação e estereótipos relacionados à idade. No atendimento à população idosa, esse comportamento pode influenciar a maneira como sintomas são interpretados, decisões são tomadas e o paciente participa do próprio cuidado.
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Quando a idade passa a ser usada como explicação para tudo?
Uma das manifestações do idadismo ocorre quando alterações de saúde são automaticamente atribuídas ao envelhecimento. Cansaço, perda de mobilidade, tristeza, dificuldade de memória ou redução da capacidade funcional podem ser tratados como consequências inevitáveis da idade, sem uma investigação adequada. Essa interpretação pode fazer com que sinais importantes sejam normalizados e deixem de receber a atenção necessária.
O Doutor Yuri Silva Portela informa que esse tipo de interpretação pode atrasar a identificação de problemas que poderiam receber acompanhamento. Nem toda mudança faz parte do envelhecimento esperado, e distinguir uma transformação natural de um sinal que merece atenção exige observar a história e as condições específicas do paciente. A avaliação individual permite entender se determinada alteração é recente, progressiva ou relacionada a alguma condição que precisa ser investigada.
O problema também pode aparecer no sentido contrário. Considerar que todo idoso é necessariamente frágil cria uma expectativa que pode reduzir sua participação e fazer com que capacidades ainda preservadas sejam ignoradas. Reconhecer limitações reais sem presumir incapacidade ajuda a manter o equilíbrio entre oferecer proteção e preservar a autonomia da pessoa.
Como o preconceito interfere nas decisões de saúde?
Quando profissionais ou familiares partem da ideia de que uma pessoa idosa não conseguirá compreender determinada situação, podem tomar decisões por ela sem verificar sua capacidade de participar. Isso pode acontecer em consultas, tratamentos, mudanças de rotina ou escolhas relacionadas ao próprio cotidiano. A idade, por si só, não permite concluir que alguém perdeu a capacidade de compreender informações ou expressar suas preferências.

O Doutor Yuri Silva Portela elucida que a proteção é importante quando existe uma necessidade real, mas a proteção não deve ser confundida com substituição automática da vontade do idoso. Sempre que possível, a pessoa precisa receber informações adequadas para compreender as alternativas e participar das decisões que dizem respeito à sua saúde. Esse cuidado ajuda a preservar sua autonomia e permite que familiares e profissionais ofereçam suporte sem retirar sua participação nas escolhas.
O idadismo também pode aparecer dentro da família? Doutor Yuri Silva Portela explica
Sim. A discriminação relacionada à idade não acontece apenas nos serviços de saúde. Familiares podem começar a decidir tarefas, controlar horários, restringir atividades ou assumir responsabilidades que o idoso ainda consegue desempenhar sozinho. Mesmo quando essas atitudes são motivadas pelo cuidado, elas podem reduzir gradualmente a participação da pessoa nas decisões e atividades da própria rotina.
Em algumas situações, essas atitudes surgem da preocupação com quedas, esquecimentos ou outros riscos. O problema aparece quando a tentativa de proteger elimina oportunidades de participação sem considerar aquilo que a pessoa ainda consegue fazer com segurança. Avaliar cada situação individualmente ajuda a diferenciar uma necessidade real de assistência de uma restrição baseada apenas na idade.
Por isso, como pontua o Doutor Yuri Silva Portela, o cuidado familiar precisa encontrar um equilíbrio. Oferecer apoio quando necessário pode preservar a segurança, enquanto permitir que o idoso mantenha determinadas atividades pode contribuir para sua autonomia e autoestima. O objetivo deve ser oferecer suporte na medida necessária, respeitando as capacidades que permanecem preservadas e evitando intervenções que limitem sua independência sem necessidade.

