Há uma conversa que acontece diariamente em departamentos de recursos humanos por todo o Brasil: candidatos com boa vontade, disposição para aprender e histórias de superação que impressionam, mas sem as competências digitais básicas que a função exige. Saber usar um editor de texto, organizar dados numa planilha, montar uma apresentação simples. Habilidades que parecem triviais para quem cresceu com computador em casa e que representam uma barreira real para quem não teve esse acesso.
Eloizo Gomes Afonso Duraes identificou essa barreira em 2003 e passou duas décadas ajudando crianças do Jaguaré e de outras regiões vulneráveis a derrubá-la antes que ela aparecesse em suas vidas profissionais.
A realidade do mercado que poucos discutem
Quando uma vaga de trabalho lista como requisito o domínio do pacote Office, essa exigência parece neutra e razoável. Mas ela carrega uma seleção implícita que raramente é debatida: exclui sistematicamente candidatos que cresceram em contextos sem acesso a computadores, não porque sejam menos inteligentes ou menos capazes, mas simplesmente porque nunca tiveram a oportunidade de aprender o que o mercado passou a exigir como básico.

O curso de informática da Fundação Gentil Afonso Duraes ataca diretamente essa seleção implícita. Ao ensinar Word, Excel, PowerPoint e navegação profissional na internet para crianças de 7 a 14 anos, a Fundação garante que esses jovens cheguem ao mercado de trabalho anos depois com as ferramentas que a concorrência toma como dadas, colocando-os num patamar de competitividade que sua origem socioeconômica não lhes garantiria de outra forma.
Do básico ao estratégico
O currículo do curso não se limita às ferramentas mais visíveis do pacote Office. Inclui programas de apoio à alfabetização para os alunos mais novos, desenvolve habilidades de digitação que aumentam a produtividade profissional, aborda sistemas operacionais e ensina navegação segura na internet, com ênfase na identificação de informações falsas e na proteção de dados pessoais.
Eloizio Gomes Afonso Duraes estruturou esse currículo com a visão de quem entende o mercado de trabalho real, não o idealizado. Cada módulo responde a uma demanda concreta que os alunos encontrarão na vida profissional, e o conjunto forma uma base digital sólida sobre a qual qualquer especialização futura pode ser construída.
O investimento que se paga por décadas
O impacto de aprender informática entre os 7 e os 14 anos se distribui ao longo de toda a vida profissional de uma pessoa, que pode facilmente se estender por quarenta ou cinquenta anos. Eloizo Gomes Afonso Duraes compreendeu a matemática desse investimento com clareza: o custo de oferecer o curso é concentrado no presente, mas o retorno para a criança se multiplica ao longo de décadas. Nenhum outro tipo de intervenção social oferece uma relação tão favorável entre investimento e retorno de longo prazo quanto a educação de qualidade oferecida no momento certo da vida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

