São Paulo aparece entre os estados mais conectados do Brasil, mas lacunas rurais persistem
Índice da Anatel coloca o estado na terceira posição do ranking nacional, atrás apenas do Distrito Federal e de Santa Catarina.
O estado de São Paulo voltou a se destacar entre os mais conectados do país, segundo o mais recente levantamento do Índice Brasileiro de Conectividade (IBC), divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Com uma pontuação de 76,45, São Paulo ficou na terceira posição do ranking nacional, atrás apenas do Distrito Federal, com 79,1 pontos, e de Santa Catarina, com 77,88. A dúvida que surge diante desse tipo de dado é inevitável para quem mora em municípios do interior, como Biritiba Mirim: será que essa boa colocação estadual se reflete igualmente em todas as regiões, incluindo áreas rurais e cidades menores da Grande São Paulo? A resposta, segundo os próprios dados da Anatel, é que ainda existe uma desigualdade relevante entre grandes centros urbanos e regiões mais afastadas.
O que mostra o Índice Brasileiro de Conectividade
O IBC é calculado pela Anatel a partir de indicadores como o percentual da população com acesso a banda larga, cobertura 4G ou 5G e disponibilidade de fibra óptica em cada município. Segundo o levantamento mais recente, a nota mediana do país passou de 52,88 pontos em 2024 para 56,50 em 2025, uma melhora de 3,62 pontos no período. Do total de 5.570 municípios analisados, 4.614, o equivalente a 82,8%, registraram melhora no índice, enquanto 956, ou 17,2%, apresentaram recuo na avaliação.
Esse avanço geral, no entanto, não elimina as disparidades internas dentro dos próprios estados mais bem colocados no ranking. São Paulo, apesar da terceira posição nacional, concentra grande parte da sua infraestrutura de conectividade nos grandes centros urbanos e ao longo dos principais eixos rodoviários, uma tendência confirmada por outro levantamento, da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com a Anatel, que mostrou o estado entre os líderes em cobertura 4G nas rodovias, com 87,8% da malha viária coberta.
Por que as lacunas rurais ainda preocupam
O desafio de levar conectividade a áreas rurais e mais afastadas dos grandes centros é reconhecido pelo próprio setor de telecomunicações como um dos principais gargalos do país. Segundo especialistas do setor, a diferença de densidade de antenas entre grandes cidades e áreas rurais é significativa, o que explica por que municípios menores, mesmo em estados bem posicionados no ranking nacional, ainda enfrentam sinal instável ou ausência de cobertura de fibra óptica em bairros mais afastados da área central.
Para tentar reduzir essa desigualdade, iniciativas como o programa Wi-Fi Brasil, coordenado pelo Ministério das Comunicações em parceria com a Embrapa e a Telebras, já levaram internet banda larga gratuita a comunidades rurais de outros municípios paulistas, por meio da instalação de antenas em regiões sem infraestrutura de operadoras privadas. Esse tipo de ação federal tende a ganhar força nos próximos anos, especialmente em municípios do interior de São Paulo que, assim como Biritiba Mirim, têm parte significativa do território em área rural e de proteção ambiental, o que naturalmente encarece a expansão de redes de fibra óptica tradicionais.
O que isso significa para municípios como Biritiba Mirim
Para cidades menores da Grande São Paulo, inseridas em regiões de Mata Atlântica preservada como Biritiba Mirim, a boa colocação estadual no ranking de conectividade não garante automaticamente que bairros rurais e mais afastados do centro urbano tenham acesso equivalente à internet de qualidade. A combinação entre área de proteção ambiental e baixa densidade populacional em determinadas regiões costuma tornar economicamente menos atrativa a instalação de infraestrutura de fibra óptica por parte das operadoras privadas.
Nesse cenário, políticas públicas federais e estaduais de inclusão digital tendem a ser o principal caminho para reduzir essas lacunas, especialmente em municípios que combinam características rurais com a necessidade de preservação ambiental. Para moradores de áreas mais afastadas de Biritiba Mirim, acompanhar editais e programas de conectividade rural, tanto do Governo Federal quanto do Governo do Estado de São Paulo, pode ser o caminho mais direto para obter acesso à internet de qualidade nos próximos anos.
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