Captação recorde dos FIPs no primeiro semestre de 2026 reflete a busca de empresas em expansão por capital de longo prazo fora do crédito bancário tradicional, movimento acompanhado de perto pela infraestrutura de administração fiduciária e custódia do mercado de capitais brasileiro
Depois de anos concentrados nas discussões sobre renda fixa e crédito privado securitizado, o mercado de capitais brasileiro voltou a olhar com atenção para um veículo mais antigo e, até recentemente, menos comentado fora do círculo de private equity e venture capital: os Fundos de Investimento em Participações, os FIPs. Levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais mostra que a captação líquida desses fundos somou R$32,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado que os mantém como a terceira classe de maior captação da indústria, atrás apenas da renda fixa e dos fundos de índice. O patrimônio líquido do segmento chegou a R$ 852,7 bilhões em junho, com o número de veículos ativos avançando de 1.969 para 2.123 em pouco mais de um ano.
O desempenho dos FIPs acompanha uma mudança de comportamento entre empresas de médio porte em fase de expansão, que passaram a enxergar no capital de fundos de participação uma alternativa ao endividamento bancário tradicional para financiar projetos de crescimento, aquisições ou reestruturação societária. Diferentemente de instrumentos de dívida, os FIPs adquirem participação acionária nas companhias investidas, o que costuma vir acompanhado de maior envolvimento na governança do negócio e de um horizonte de investimento mais longo, compatível com projetos que não geram retorno imediato. Nesse cenário, a ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos de participação, prestando suporte à governança, à conformidade regulatória e à gestão patrimonial dessas estruturas.
Capital paciente ganha espaço no financiamento de empresas em expansão
A lógica por trás do crescimento dos FIPs está diretamente relacionada ao custo do crédito bancário no Brasil, historicamente elevado para empresas que ainda não possuem histórico de crédito consolidado ou garantias suficientes para acessar linhas mais baratas. Ao trocar dívida por capital, uma empresa de médio porte reduz sua alavancagem financeira e ganha um sócio institucional capaz de agregar governança, relacionamentos comerciais e, em muitos casos, conhecimento de gestão, elementos que dificilmente vêm associados a um financiamento bancário convencional.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o avanço dos FIPs representa um estágio natural de amadurecimento do mercado de capitais brasileiro:
“Durante muito tempo, o crédito estruturado concentrou as atenções do mercado de capital privado no Brasil. Os FIPs mostram que existe uma demanda igualmente relevante por capital próprio de longo prazo, sobretudo entre empresas de médio porte que já superaram a fase inicial de operação e buscam recursos para crescer sem comprometer sua estrutura de capital com dívida”, avalia o executivo.
Governança e transparência tornam-se pré-requisitos para atrair investidores institucionais
O crescimento acelerado da base de investidores dos FIPs, que passou de 245 mil para 307 mil contas entre julho de 2025 e maio de 2026, avanço de 25% em pouco menos de um ano, eleva a exigência sobre a qualidade da governança exercida pelos administradores fiduciários responsáveis por essas estruturas. Diferentemente de um fundo de renda fixa, cuja carteira é composta por ativos de maior liquidez e precificação mais objetiva, um FIP costuma deter participações em empresas não listadas, cujo valor depende de metodologias de avaliação mais sofisticadas e de processos de auditoria periódica sobre o desempenho das companhias investidas.
A ID CTVM, que soma mais de R$ 50 bilhões em ativos sob administração e custódia e reúne mais de 550 fundos ativos em sua carteira, aplica a estruturas de participação os mesmos padrões de controladoria, conciliação e rastreabilidade utilizados em fundos de crédito estruturado, com processos de acompanhamento periódico do patrimônio das companhias investidas e de conformidade regulatória junto à Comissão de Valores Mobiliários.
Internacionalização amplia a base de investidores dos fundos de participação
Outro fator que sustenta o crescimento recente da indústria de FIPs é o apetite crescente de investidores estrangeiros por exposição direta a empresas brasileiras fora do mercado acionário tradicional. Nos últimos doze meses, investidores internacionais responderam por cerca de metade da captação líquida da indústria de fundos voltados à economia real, movimento que reforça a relevância de administradores fiduciários capacitados a atender, ao mesmo tempo, as exigências regulatórias domésticas e as particularidades de reporte exigidas por investidores não residentes.
A companhia é habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais para atuar em administração fiduciária, custódia qualificada, controladoria e representação de investidores não residentes, o que permite oferecer a gestoras de FIPs uma estrutura única capaz de atender tanto cotistas domésticos quanto internacionais sem a necessidade de contratar múltiplos prestadores de serviço para cada etapa da operação.
Perspectivas para o próximo ciclo de capitalização
Com o número de FIPs ativos crescendo em ritmo superior a 8% ao ano e a base de investidores em expansão acelerada, o mercado projeta que esses veículos devem ganhar espaço permanente entre as opções de financiamento disponíveis a empresas de médio porte brasileiras, ao lado dos instrumentos de crédito estruturado que já vinham liderando a diversificação das fontes de capital nos últimos anos. Para administradores fiduciários e custodiantes independentes, a consolidação dessa tendência deve exigir investimentos contínuos em tecnologia de controladoria e em processos de governança capazes de sustentar, com a mesma solidez observada no crédito privado, o crescimento de um segmento que devolve ao capital próprio um papel central no financiamento da economia real brasileira.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

