Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro com atuação nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, explica que a primeira proteção contra uma fraude é entender a oferta antes de transferir qualquer valor. Uma proposta pode chegar por redes sociais, aplicativos de mensagens ou indicação de conhecidos e apresentar gráficos, depoimentos e supostos resultados. Esses elementos, porém, não substituem a verificação de quem está por trás da operação e de como ela funciona.
1. Quem está oferecendo o investimento?
Comece pela identificação de quem apresenta a oportunidade. Nome da empresa, CNPJ, endereço, responsáveis e canais oficiais devem ser conferidos em fontes independentes. Também é importante verificar se o contato realmente pertence à empresa mencionada. Golpistas podem utilizar nomes, logotipos e informações de negócios legítimos para criar abordagens convincentes. Por isso, não dependa apenas dos dados enviados pelo próprio interlocutor. Procure os canais oficiais da empresa e compare as informações antes de avançar.
2. O que exatamente está sendo oferecido?
“Investir em criptomoedas” pode significar operações diferentes. Antes de aplicar, descubra qual ativo está envolvido, quem executará a operação, onde os ativos serão custodiados e em quais condições poderão ser movimentados. Também procure entender como o serviço funciona na prática. O dinheiro será utilizado para comprar ativos? A empresa fará a intermediação? Existe uma estratégia de negociação? Há alguma remuneração prevista em contrato?
Quanto mais vaga for a explicação, maior deve ser a cautela. Para Paulo de Matos Junior, compreender a operação deve vir antes da análise de sua possível rentabilidade: o investidor precisa saber onde seu dinheiro estará e como poderá recuperá-lo.
3. De onde vem o retorno prometido?
Promessas de lucro garantido, rendimento elevado com baixo risco ou percentuais fixos exigem atenção. Assim, Paulo de Matos Junior retrata que, em vez de considerar apenas o valor apresentado, procure descobrir qual operação gera aquele retorno e quais riscos podem afetá-lo. Perguntas simples ajudam: o resultado depende da valorização de um ativo? Há volatilidade? Quem assume eventuais perdas? Existem taxas ou condições para resgate?
A pressão para decidir rapidamente também merece cuidado. Expressões como “últimas vagas”, “oportunidade de hoje” ou exigências para fazer um depósito imediato reduzem justamente o tempo necessário para pesquisar.

O mesmo vale para grupos que exibem supostos comprovantes de lucro e estimulam a entrada de novos participantes. Um programa de indicação, isoladamente, não caracteriza uma pirâmide financeira; o alerta está em estruturas nas quais a entrada de novos participantes é essencial para sustentar os pagamentos prometidos.
4. O que dizem o Banco Central e a CVM?
Desde fevereiro de 2026, estão em vigor as regras do Banco Central para as prestadoras de serviços de ativos virtuais. A Resolução BCB nº 520 disciplina a atuação dessas empresas e prevê modalidades como intermediárias, custodiante e corretoras de ativos virtuais.
Isso torna importante verificar a situação regulatória de uma empresa que presta serviços sujeitos ao regime do BC. Mas essa não é necessariamente a única análise. A CVM informa que sua competência alcança criptoativos que sejam valores mobiliários, incluindo determinadas ofertas públicas de contratos de investimento coletivo. Bitcoin e a maioria das criptomoedas, por exemplo, não estão sujeitos à regulação da CVM apenas por serem criptoativos.
Portanto, a pergunta correta não é apenas “a empresa é autorizada?”, mas também qual atividade está sendo oferecida e qual órgão regulador tem competência sobre ela?
5. Como funciona o saque e o que acontece se algo der errado?
Antes de depositar, confira as regras para retirar o dinheiro ou transferir os ativos: prazos, taxas, limites e eventuais condições. Segundo Paulo de Matos Junior, um sinal especialmente preocupante aparece quando, depois do depósito, surgem cobranças inesperadas para liberar um saldo. Taxas de desbloqueio, supostos impostos ou outros pagamentos adicionais devem ser investigados antes de qualquer nova transferência.
Se houver suspeita de fraude, interrompa os pagamentos, preserve conversas, comprovantes, contratos e links e comunique a instituição financeira utilizada. Em casos de golpe envolvendo Pix, o Banco Central orienta a vítima a procurar o banco e registrar um boletim de ocorrência; o Mecanismo Especial de Devolução (MED) pode ser utilizado quando aplicável. Também é importante desconfiar de quem promete recuperar o dinheiro mediante pagamento antecipado.
Verificar vem antes de transferir
Uma oportunidade envolvendo criptomoedas não deve ser analisada apenas pelo retorno prometido. Quem oferece, o que está sendo oferecido, de onde vem o rendimento, qual regulamentação se aplica e como funciona o saque são perguntas que ajudam a avaliar a proposta antes de comprometer o patrimônio.
Por fim, o empresário do segmento financeiro, Paulo de Matos Junior, aponta que, mais do que desconfiar de todo investimento em criptoativos, o cuidado está em não transferir dinheiro para uma oferta que não consegue responder a essas cinco perguntas com clareza.

