Índice da Anatel mostra avanço geral na conectividade, enquanto novo relatório aponta milhares de localidades sem fibra ou sinal móvel.
O Estado de São Paulo ocupa a terceira posição no ranking nacional de conectividade elaborado pela Anatel, com 76,45 pontos em uma escala de 0 a 100, atrás apenas do Distrito Federal (79,1) e de Santa Catarina (77,88). O dado faz parte da edição 2025 do Índice Brasileiro de Conectividade (IBC), divulgado pela agência reguladora, que também mostrou melhora na média nacional, de 52,4 pontos em 2024 para 55,35 em 2025, segundo reportagem do TELETIME News. Para municípios do interior paulista, como os que compõem a região do Alto Tietê, esse tipo de indicador ajuda a entender se a infraestrutura de telecomunicações está, de fato, acompanhando o crescimento do acesso à internet no dia a dia da população.
Como está a conectividade em São Paulo segundo a Anatel
O IBC é construído a partir de dados próprios da Anatel combinados com o Indicador de Conectividade Rural (ICR), desenvolvido pela ConectarAgro em parceria com a Universidade Federal de Viçosa. Essa combinação permite avaliar não apenas grandes centros urbanos, mas também a realidade da conectividade em áreas rurais e mais afastadas, que historicamente ficam de fora das estatísticas tradicionais de telecomunicações. Segundo a Anatel, o levantamento de 2025 mostrou que oito em cada dez municípios brasileiros registraram avanço na conectividade em relação ao ano anterior, um sinal de que os investimentos em infraestrutura de rede têm alcançado boa parte do território nacional, ainda que de forma desigual entre regiões.
Mesmo entre os municípios com desempenho mais baixo no índice, houve evolução relevante: a média desse grupo passou de 41,49 para 45,01 pontos entre 2024 e 2025, o que a Anatel interpreta como sinal de que a conectividade está avançando também nas localidades mais frágeis do país. Ainda assim, o ranking nacional continua dominado por destinos turísticos litorâneos e cidades de alto desenvolvimento urbano, como Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro, que lidera com 95,8 pontos, seguida por Bertioga, no litoral paulista, com 94,6, conforme aponta o Inforchannel. Essa concentração reforça que fatores como densidade populacional, turismo e proximidade de grandes centros continuam pesando bastante na hora de atrair investimento em rede.
As lacunas de infraestrutura que ainda persistem no Brasil
Apesar do avanço geral, um levantamento mais recente da própria Anatel mostra que o país ainda tem um caminho considerável a percorrer. A edição 2026 do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) identificou 30.031 localidades brasileiras sem backhaul de fibra óptica e sem obrigações regulatórias de atendimento estabelecidas atualmente, distribuídas em 652 municípios, com concentração forte na região Nordeste e em Minas Gerais, segundo reportagem do TELETIME News publicada nesta semana. Quando o recorte é feito pela cobertura móvel, o cenário também preocupa: cerca de 26,4 mil localidades afastadas ainda não contam com sinal 4G nem obrigação regulatória prevista para receber a tecnologia.
O próprio texto do PERT reconhece que essas lacunas se concentram especialmente em áreas indígenas, rurais e localidades remotas, mesmo com a cobertura em zonas urbanas já em patamares elevados. Esse tipo de diagnóstico técnico é o que orienta políticas públicas futuras de universalização, incluindo iniciativas como o Programa Conectividade nas Escolas, que já destinou R$ 654 milhões para conectar mais de 5 mil escolas públicas urbanas e rurais até 2026, com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e do BNDES, conforme detalhado pela própria Anatel.
O que isso significa para municípios como Biritiba Mirim
Cidades cercadas por área de proteção ambiental e com grande extensão de zona rural, como é o caso de Biritiba Mirim, tendem a estar justamente no tipo de território que essas lacunas de infraestrutura mais afetam. Com quase 90% do município classificado como área de manancial e parte relevante do território dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, é razoável supor que bairros mais distantes do centro urbano enfrentem sinal de internet e telefonia mais instável do que a média da Região Metropolitana de São Paulo, ainda que o Estado como um todo apareça bem posicionado no ranking nacional da Anatel.
Para o morador que lida com instabilidade de sinal no dia a dia, entender esse contexto ajuda a situar o problema dentro de um cenário nacional mais amplo, no qual áreas rurais e de proteção ambiental costumam demorar mais para receber investimento em fibra óptica e antenas de telefonia. Acompanhar os próximos capítulos do PERT e as futuras rodadas de leilões de conectividade da Anatel pode indicar se municípios como Biritiba Mirim entrarão na lista de prioridades para reduzir essa diferença nos próximos anos.
Fontes:
https://teletime.com.br/24/04/2026/indice-de-conectividade-de-anatel-aponta-melhora-em-2025-veja-ranking/
https://inforchannel.com.br/2026/04/25/anatel-divulga-resultados-mais-recentes-do-indice-brasileiro-de-conectividade-fazer/
https://teletime.com.br/14/07/2026/localidades-pert/
https://www.gov.br/anatel/pt-br/assuntos/noticias/anatel-reforca-conectividade-em-escolas-regioes-remotas-e-emergencias-promovendo-inclusao-digital-em-todo-o-brasil

