Obra de transferência de água ligada à cidade integra investimento recorde da companhia para 2026, com foco em abastecimento e esgoto.
Biritiba Mirim ocupa um lugar estratégico no mapa da segurança hídrica da Grande São Paulo. O reservatório Biritiba, que leva o nome da cidade e integra o Sistema Alto Tietê, foi reforçado pela obra de transferência Itapanhaú-Biritiba Mirim, tocada pela Sabesp com investimento de R$ 161 milhões e conclusão prevista para este ano. A intervenção capta água do ribeirão Sertãozinho, na bacia do rio Itapanhaú, que originalmente seguiria para Bertioga, e a bombeia em direção ao Alto Tietê, adicionando até 2 mil litros de água bruta por segundo ao sistema que abastece milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo, segundo dados da Agência SP, órgão de comunicação do Governo do Estado.
O que é a transferência Itapanhaú-Biritiba Mirim e por que ela importa para a cidade
A obra faz parte de um conjunto maior de intervenções que o Governo de São Paulo classifica como o maior programa de resiliência hídrica da história do Estado, com mais de R$ 25 bilhões previstos até 2030 para todas as regiões paulistas. Para viabilizar o volume máximo de transferência, está em fase de instalação a rede elétrica de alta tensão que alimentará as bombas responsáveis por enviar a água captada até o reservatório Biritiba, conforme detalhado pela revista Hydro. Na prática, isso significa disponibilizar uma fonte de água que antes não chegava ao sistema que abastece a própria região do Alto Tietê, incluindo Biritiba Mirim.
O impacto potencial dessa obra ganha peso quando se considera a geografia do município. Cerca de 89% do território de Biritiba Mirim está classificado como Área de Proteção de Mananciais, segundo o próprio plano de investimentos da Sabesp arquivado no site da Prefeitura, e outra fração significativa integra o Parque Estadual da Serra do Mar. Isso faz da cidade uma peça central, e não apenas periférica, na rede de captação de água que sustenta boa parte da Grande São Paulo, o que também explica por que decisões tomadas em nível estadual sobre saneamento tendem a repercutir diretamente no dia a dia dos moradores locais, seja em obras, seja em eventuais restrições ambientais.
O plano nacional de investimentos da Sabesp para 2026
A obra em Biritiba Mirim é apenas uma fração de um investimento muito maior anunciado pela Sabesp para este ano. Durante evento com investidores, a companhia informou que pretende aplicar R$ 20 bilhões ao longo de 2026, distribuídos entre 33% para abastecimento de água e 67% para coleta e tratamento de esgoto, de acordo com reportagem da Revista OE. O valor supera o total investido em 2025, de R$ 15,2 bilhões, e faz parte da estratégia da empresa desde sua privatização, concluída em julho de 2024, de acelerar obras para universalizar o saneamento até 2029, quatro anos antes do prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento em nível nacional.
Segundo apresentação da própria Sabesp à Fiesp, já foram aplicados ou contratados R$ 35 bilhões dos R$ 70 bilhões previstos no plano de universalização, que já resultou em 524 mil residências com tratamento de esgoto e 485 mil novas ligações de água em todo o Estado. Outra medida relevante para a região metropolitana foi a redução da pressão noturna na rede, determinada pela Arsesp, agência reguladora do setor, que gerou economia de 13,31 bilhões de litros de água em apenas um mês, volume equivalente à capacidade total do Sistema Rio Claro, conforme aponta a mesma reportagem da Hydro.
O papel da Mata Atlântica e das áreas de proteção de mananciais em Biritiba Mirim
O peso ambiental de Biritiba Mirim no sistema de abastecimento paulista não é acidental. A cidade abriga duas barragens importantes, a de Ponte Nova, no rio Tietê, e a do próprio rio Biritiba Mirim, ambas fundamentais para o controle de enchentes e para a regulação do volume de água disponível ao longo do ano, segundo documentação técnica da Sabesp. Essa combinação de floresta preservada, área de manancial e infraestrutura hídrica coloca o município em uma posição pouco comum entre cidades do mesmo porte no Estado de São Paulo, exigindo uma articulação constante entre a Prefeitura, o Governo do Estado e a companhia de saneamento.
Para o morador de Biritiba Mirim, entender esse papel ajuda a explicar por que obras aparentemente distantes, como grandes transposições de bacias hidrográficas, acabam afetando diretamente a rotina da cidade, seja pela movimentação de equipes e maquinário na região, seja pelas eventuais restrições de uso do solo em áreas de proteção ambiental. Acompanhar o andamento desses investimentos, portanto, é uma forma de entender melhor o futuro do abastecimento de água não só na cidade, mas em toda a Região Metropolitana de São Paulo.
Fontes:
https://www.agenciasp.sp.gov.br/conheca-as-obras-e-acoes-previstas-para-aumentar-a-resiliencia-no-abastecimento-de-agua-de-sp/
https://www.arandanet.com.br/revista/hydro/noticia/11733-Sabesp-investe-R$-2,4-bilhoes-em-obras-de-seguranca-e-resiliencia-hidrica-ate-2026%C2%A0.html
https://revistaoe.com.br/sabesp-investimento-saneamento-reuso/
https://www.fiesp.com.br/mobile/noticias/?id=304939
https://www.biritibamirim.sp.gov.br/site/anexos/sabesp/ANEXOS_Contrato_BIRITIBA_MIRIM.pdf

